Ulrich Vital Ahotondji
LIBREVILLE
17 de Novembro
O sucesso do Programa de Apoio Participativo à Agricultura Familiar e à Pesca Artesanal de São Tomé e Príncipe está no centro das atenções do fórum regional que está a ter lugar no vizinho Gabão, organizado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.
O programa de desenvolvimento agrícola, conhecido pela sigla portuguesa PAPAFPA, levou à revitalização das plantações de cacau e de café em todo o país, após os agricultores terem recebido formação e assistência com o objectivo de se organizarem em cooperativas. O programa pretende melhorar os níveis de vida da população rural mais pobre, garantir a segurança alimentar e aumentar os rendimentos, ao mesmo tempo que respeita o meio ambiente.
O PAPAFPA também tem ajudado os agricultores oferecendo-lhes conselhos sobre comercialização e gestão, apoio à produção e transformação de produtos de alta qualidade e, nalguns casos, obtenção de certificação de comércio equitativo e certificação orgânica.
Carmida Viegas, directora do programa, explicou que o projecto começou há seis anos com um pequeno grupo piloto. Os pequenos produtores agrícolas tinham terra e plantações funcionais mas precisavam de se tornar comercialmente bem sucedidos. “Organizámos estes agricultores em associações e organizações e criámos uma cadeia de abastecimento, identificando parceiros para o desenvolvimento de algumas culturas.”
Resultados encorajadores nas cooperativas
O PAPAFPA criou quatro cooperativas especializadas que estão a transformar a produção nas suas áreas respectivas. Uma cooperativa dedicada a produzir pimenta e outras especiarias já assinou acordos de parceria com diversas companhias europeias, enquanto que outra centrou a sua atenção na exportação de café orgânico, tendo assegurado a certificação necessária para operar como produtora orgânica que obedece às normas do comércio equitativo.
A cooperativa dedicada à produção de cacau de elevada qualidade exportou perto de 90 toneladas em 2011, comparado com apenas nove toneladas exportadas em 2009.
Uma segunda cooperativa produtora de cacau, a Cooperativa de Exportação de Cacau Orgânico (CECAB), está em vias de se tornar a principal exportadora de cacau do país, com os seus 1.800 membros a gerarem receitas ascendendo a quase 1.4 milhões de dólares.
“Tudo isto tem sido possível devido ao esforço colectivo – e à determinação dos pequenos produtores e ao apoio prestado pelos seus parceiros,” explicou Andrea Serpagli, funcionária do IFAD responsável pelos programas em São Tomé e Príncipe.
Sébastian Balmisse, assistente técnico encarregado da implementação do PAPAFPA, destaca o facto das mulheres estarem envolvidas em todos os aspectos do programa, estando não só fortemente representadas nos campos mas também possuindo poder de decisão no seio das cooperativas
A ameaça das alterações climáticas
A implementação do PAPAFPA tem as suas dificuldades. “O maior problema que temos de enfrentar é a seca que destrói as nossas culturas,” explica Higino Sacramento, um pequeno produtor e presidente da CECAB.
“Estamos a tentar criar medidas graduais que reduzam os efeitos da seca através do desenvolvimento de sistemas de irrigação e também com a introdução de técnicas agrícolas que ajudem a conservar a água no solo,” confirmou Balmisse.
Apesar destes desafios, o PAPAFPA está a produzir resultados positivos para as populações das zonas rurais de São Tomé e Príncipe.








